Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

VIII



Colo a face ao vidro. O carro prolonga-se pela estrada. Caminhamos juntos pelo asfalto - uma aproximação à indiferença paira. As pétalas flutuam pelo mar - os caminhos - os espelhos de Deus.
Enuncia-se o maremoto dos espinhos. 
As roupas, espalhadas pelo inabitável, colmatam a lacuna - a escultura despe o sintoma: o semblante dos trovões apunhala o toque dos dedos. Bocejo.
Flamejante a terra veste o soutien: o aroma na areia molhada.
Um raio de sol embate-me. Que calor imenso num grão de fogo. Um pintassilgo aguarda a semente do dente-de-leão: o eucalipto refresca o pulmão pela aberta janela.
Aguardo o bebedouro.
Pela ténue neblina - aguardo a fonte.
E o mar esbraceja pela minha dor.


Carlos Vinagre

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